Deu branco – Revista Natureza

Muito ornamental e fácil de cultivar, o camarão-branco faz a diferença no visual dos canteiros

TEXTO ANA VAZZOLA | FOTOS VALERIO ROMAHN

A sensação ao se deparar com um maciço repleto de camarões-brancos (Justicia betonica) é uma mescla de déjà vu e surpresa. Déjà vu porque o formato das inflorescências espigadas de até 12 cm de comprimento que se formam nas pontas dos ramos lembra muito o do camarão-amarelo (Pachystachys lutea) e do camarão-vermelho (Justicia brandegeeana), duas outras espécies da família das acantáceas. Já a surpresa fica por conta do visual das brácteas sobrepostas, que envolvem as pequenas flores lilases: brancas e com nervuras esverdeadas, elas criam um contraste impressionante com a folhagem verde-escura.

Nativo da costa leste da África do Quênia até a África do Sul –, do sul da Índia e do Sri Lanka, o camarão-branco ainda é pouco conhecido no Brasil, mas tem tudo para ganhar espaço, e suas semelhanças com os demais camarões vão muito além do formato da inflorescência: assim como seus “primos”, ele atrai beija-flores e borboletas para o jardim, é fácil de cultivar e muito versátil.

Versátil, a espécie pode compor maciços, bordar canteiros, formar renques e até ser cultivada em vasos | Projeto: Graciela D’Ávila (jardinista)

Com porte máximo de 1,5 m de altura, a espécie pode formar renques ao longo de muros e cercas, bordar ou ser plantado à frente de maciços verdes, para destacar a beleza de sua florada, que se estende de maio a setembro. Outra opção é cultivá-la em vasos. “O efeito fica muito bonito, pois, nessa condição, alguns ramos nas laterais do vaso acabam pendendo e contrastando com os demais, que crescem para cima”, explica o produtor Edilson Giacon.

Independentemente da forma de cultivo, é importante certificar-se de que o local escolhido para e espécie receba pelo menos quatro horas diárias de luz solar, pois ela necessita de sol pleno para se desenvolver com saúde.

Simples cultivo

O cultivo do camarão-branco não tem muitos segredos, e, se devidamente cuidado, ele brinda o jardim com até dez anos de belas floradas. Prepare um substrato bem drenado misturando terra retirada do canteiro com 500 g de húmus de minhoca ou torta de mamona. Abra berços de 30 cm x 30 cm x 40 cm para acomodar as mudas e mantenha 40 cm de distância entre elas.

As regas devem ser em dias alternados durante o verão e duas vezes por semana no inverno. Já as adubações quadrimestrais, com 500 g de húmus de minhoca ou torta de mamona, podem ser feitas nos meses de março, agosto e novembro. “Se preferir os adubos químicos, aplique 150 g de NPK 4-14-8 nos mesmos meses”, diz Giacon.

As brácteas brancas com nervuras verdes camuflam as pequenas flores lilases. O efeito do conjunto é belo e delicado

As podas, embora dispensáveis, trazem algumas vantagens para a planta. “A remoção dos ramos laterais ajuda a manter o tamanho e o formato do arbusto. Já o corte das pontas dos ramos em setembro, após o final da florada, faz com que novas inflorescências brotem em 45 dias”, salienta o produtor.

De um modo geral, o camarão-branco é bem resistente a pragas, mas pode sofrer com o ataque de formigas cortadeiras. Por isso, é importante ficar atento à formação de formigueiros próximos ao local onde ele é cultivado.

Na Ciprest Viveiro de Mudas e Plantas, é possível comprar mudas de camarão-branco com 40 cm de altura por R$ 10.

De maio a setembro, inflorescências espigadas surgem nas pontas dos ramos do arbusto, que pode atingir até 1,5 m de altura

Camarão-branco em detalhes

  • Nome científico: Justicia betonica
  • Nome popular: camarão-branco
  • Família: acantáceas
  • Origem: costa leste da África do Quênia até a África do Sul –, sul da Índia e Sri Lanka
  • Características: arbusto semilenhoso de até 1,5 m de altura e muito ornamental
  • Folhas: lisas, verde-escuras e ovaladas, medem até 6 cm de comprimento
  • Flores: pequenas e lilases, são envoltas por brácteas brancas com nervuras verdes. Agrupam-se em inflorescências espigadas de até 12 cm que despontam nas pontas dos ramos de maio a setembro
  • Solo: arenoargiloso e bem drenado
  • Luz: sol pleno
  • Clima: tropical, tolerante às temperaturas frias do subtropical. Não suporta geadas
  • Regas: em dias alternados durante o verão e duas vezes por semana no inverno
  • Plantio: prepare o substrato acrescentando à terra do local 500 g de húmus de minhoca ou torta de mamona. Abra berços de 30 cm x 30 cm x 40 cm e acomode as mudas, mantendo 40 cm de distância entre elas
  • Adubação: nos meses de agosto, novembro e março, aplique sobre o solo 500 g de húmus de minhoca ou torta de mamona. Outra opção é usar 150 g de NPK 4-14-8
  • Podas: embora não sejam consideradas essenciais, aparar os ramos excedentes nas laterais ajuda a manter o formato da planta. Além disso, o corte das pontas dos ramos em setembro, após o final da florada, faz com que a espécie floresça novamente
  • Propagação: por estaquia

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